Alguns Traidores Não São Desleais - Parte 01

          Richard era um rapaz ansioso, levemente irritado e bastante teimoso. Richard também era habilidoso no Quadribol e uma negação no Xadrez de Bruxo. Porém, uma coisa que Richard nunca foi, era ser indeciso.
          Ele sempre foi seguro sobre o que queria. Queria ser jogador de Quadribol, queria poder jogar na Copa Mundial de Quadribol, queria ser correspondido no amor, mais especificamente queria ser correspondido por Sophie.
          Contudo, havia se passado duas semanas desde a aula de Trato de Criaturas Mágicas, e uma de suas certezas estava sendo posta à prova. E era nisso que o grifinório pensava, quando foi tomar o seu desjejum  naquela manhã.
          A pior parte daquilo tudo, era não poder conversar sobre aquilo com o seu melhor amigo, que por acaso estava bem a sua frente. Como dizer para Johnny que havia a possibilidade de estar nutrindo sentimentos por Nádia?
          Rich foi interrompido de seus pensamentos, por um cheiro peculiar de morangos e flores silvestres:
          — Oi Johnny, bom dia. — Soph olhou para o amigo com um sorriso, que também a cumprimentou da mesma forma. — Bom dia Sr. Timms. — A ruiva pousou a mão no ombro de Rich, dando-lhe um sorriso, antes de sentar ao seu lado.
          — B-bom dia Soph. — Como de costume, Richard sentiu seu coração acelerar, como o típico rapaz apaixonado que era. Em seguida, deu um longo suspiro.
          — Está tudo bem? — Perguntou Johnny.
          — Sim... Mais que bem. — Rich nunca ficou tão feliz por continuar gostando de Sophie, mesmo que não fosse correspondido. Ao menos, significava que ele não estava traindo a confiança do melhor amigo.
          De repente, Soph começou a acenar:
          —  Olha a Nady ali!
          Instintivamente, Rich levantou sua cabeça, e ao mirar a garota pálida de cabelos escuros, acenando e sorrindo na direção em que ele, Johnny e Sophie estavam, o rapaz sentiu uma sensação parecida com a que tivera há poucos instantes com Soph.
          "É só coisa da minha imaginação!" Pensou o rapaz, voltando rapidamente sua atenção para o seu café da manhã, sem corresponder ao cumprimento de Nádia.
          — Você não vai cumprimentar a Nádia criatura? — Sophie deu uma cotovelada em Rich, fazendo-o voltar a si. — Tenha educação.
          — Desculpe. — Ele acenou de volta. 
          Terminado o café da manhã, os três seguiram para a aula de Adivinhação.
          — Nós temos essa aula com a Sonserina? — Ele disse, enquanto subiam a escadaria até a sala.
           Não. E você sabe disso. — Soph respondeu.
          — Cara, está tudo bem? — Johnny perguntou. — Você está estranho.
          — Mais do que o normal. — Sophie completou.
          Rich respondeu com um murmuro e os três entraram para a aula.
(...)
          O dia passou lentamente, mas passou. Finalmente, havia chegado ao fim, para o alívio de Rich. Finalmente estava no Salão Comunal da Grifinória, acompanhado por Sophie e Johnny.
          — Tem certeza que quer deixar de fazer a lição passada por Snape? — Questionou Johnny.
          — Oi? — Respondeu Richard, saindo do seu transe.
          — Mas o que é que há com você?! — Soph perguntou. — Andou o dia inteiro, parecendo um vampiro babão!
           Eu...eu estou preocupado com as provas. — Rich respondeu, dando de ombros.
          — Tá aí uma mudança... — Johnny disse. — Você nunca se preocupou com prova. Nem no Jardim da Infância.
          — Jardim de quem? — Sophie perguntou.
          — Infância. — Johnny respondeu. — É quando crianças trouxas começam a estudar.
          — Mas que esquisito! — A ruiva exclamou.
          Sophie e Johnny começaram a conversar sobre a educação dos trouxas, e nem perceberam que Rich havia deixado a mesa. O rapaz saiu do Salão Comunal da Grifinória, deixando os amigos para trás. Naquele momento, tudo o que ele precisava era pôr as ideias no lugar.
          Apesar de já ter anoitecido, ainda não havia dado o horário do toque de recolher. Assim, Rich decidiu ir até o Pátio da Torre do Relógio, o rapaz sentou-se no chão e se escorou na parede de pedra. Tudo o que ele mais queria era colocar a cabeça, ou melhor, os seus sentimentos no lugar. Porém, o rapaz não conseguiu tal feito, na verdade ele escutou o toque de recolher.
          "É melhor voltar para o Salão Comunal antes que eu seja pego por algum monitor engraçadinho!" O rapaz disse a si mesmo mentalmente, ao mesmo tempo em que fazia uma careta e se levantava.
          O garoto andava discretamente, olhando para os lados, quando esbarrou com alguém, que acabou caindo no chão.
          — Desculpe. — Ele esticou a mão e viu que era Nádia. Seu coração foi para na sua garganta e ele logo tratou de ajudá-la melhor. — Nady, machucou? Desculpa, eu não te vi.
          — Calma Rich. — Respondeu Nádia se levantando, com a ajuda do rapaz. — Eu sou pálida feito um pergaminho, mas não frágil como um. — A menina soltou uma gargalhada.
          Richard apenas colocou as mãos nos bolsos, e deu um sorriso amarelo.
          — O que aconteceu? — Perguntou a garota. — Você não tá parecendo nada bem... — Nady tentou se aproximar do rapaz.
          — Não é nada! — Rich deu o melhor sorriso que pôde e deu um passo para trás. — E-e-eu vou indo! Toque de recolher... sabe como é que é! — Logo em seguida o rapaz desapareceu nos corredores.
          Nádia não entendeu nada e continuou seguindo seu caminho.
(...)
          Às pressas, Rich voltava para o Salão Comunal da Grifinória. De repente, ele parou. Deu meia volta. E correu. Na direção oposta às escadas. Ele ia em direção às masmorras. Ele precisava encontrar Nádia.
          Não foi muito difícil; a garota andava devagar e ele conseguiu alcançá-la rápido.
          — Nady...
          — Ora, veja quem voltou. — A garota riu. — O que deseja?
          — Quadribol. — Richard disse a primeira coisa que passou em sua cabeça. Ele estava ofegante.
            — Quadribol? — Nady cruzou os braços e arqueou a sobrancelha.
          — É importante.
          — Rich, o toque de recolher...
          — Às vezes temos de assumir riscos... Certo? — O garoto se aproximou de Nádia.
          — R-r-riscos? — Agora era Nádia que estava ofegante, enquanto mirava os olhos castanhos do grifinório a sua frente.
          — Por favor? — O rapaz se aproximou mais um pouco da garota, fazendo-a encostar no paredão de pedras do castelo.
          — E-eu não sei não Rich... — Apesar de suas palavras, Nádia não fez menção de sair da posição em que estava.
          — Por favor? — O rapaz disse mais uma vez, contudo, tão baixo quanto um sussurro.
          Agora, os dois bruxos estavam ofegantes.
          Nenhum dos dois  jovens ousava desviar o olhar.
          Ou proferir qualquer palavra. 
          Inevitavelmente, Nádia e Rich se beijaram.
          Um beijo romântico, intenso e desesperado.
          Um beijo em meio às masmorras escuras e úmidas de Hogwarts.
Continua...

Comentários

Postar um comentário

Postagens mais visitadas